
Safra 2025/26: margens apertadas no agro exigem mais eficiência e decisão técnica no campo
Existe no Brasil a cultura de que o ano começa apenas após o Carnaval, normalmente em fevereiro. No Rio Grande do Sul, no contexto do agronegócio, é comum dizer que os negócios ganham ritmo após a Expodireto, realizada em março. Esse período coincide com a fase final de enchimento de grãos, quando a produtividade das lavouras passa a se definir.
Na safra atual, o Rio Grande do Sul apresenta novamente um cenário de irregularidade. As lavouras iniciaram bem em 2025, porém a ocorrência de um período com baixa precipitação e altas temperaturas a partir da metade de janeiro comprometeu o desempenho de diversas áreas, com produtividades que podem ficar próximas de 40 sacas por hectare em algumas regiões.
No Mato Grosso, a safra de soja apresentou bom desempenho, com produtividades variando entre 55 e 70 sacas por hectare, embora com redução estimada entre 5% e 10% em relação ao ciclo anterior, conforme relata o agrônomo Felipe Pesini, sediado em Sorriso (MT). A segunda safra de milho foi implantada com certo atraso, reflexo do calendário da soja, porém observa-se maior investimento em população de plantas e adubação nitrogenada. Por outro lado, o plantio sob condições de excesso de chuva pode impactar a uniformidade de estande e favorecer perdas de nitrogênio.
De forma geral, um fator comum a diferentes regiões é a pressão sobre as margens. Os preços agrícolas seguem sem força de reação, enquanto os custos de produção permanecem elevados, aumentando o risco das operações. Esse cenário tem contribuído para a continuidade de processos de recuperação judicial no setor e para uma postura mais conservadora em relação a novos investimentos. Como referência, a soja vem sendo comercializada na faixa de R$ 95,00 em algumas regiões, como Campo Novo dos Parecis (MT).
Além disso, o custo dos fertilizantes segue pressionado, com aumento relevante na relação de troca em comparação ao ano anterior. Segundo o agrônomo Ivan Felipe Stefanello, sediado em Campo Novo dos Parecis (MT), uma adubação com 70 kg de P₂O₅ e 120 kg de K₂O passou a exigir cerca de 1,6 sacas a mais de soja em relação ao ano anterior, cenário observado antes mesmo das recentes tensões geopolíticas.
Na Bahia, mais especificamente na região de Luís Eduardo Magalhães (BA), o agrônomo Gustavo Fernandes dos Santos relata uma safra com boas condições hídricas, apesar de um curto veranico em janeiro. A tendência é de incremento na produtividade em relação a 2025, com possibilidade de novos recordes, especialmente em áreas com manejo mais estruturado, incluindo rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e adoção de tecnologias como a adubação em taxa variável.
No Rio Grande do Sul, na cultura do arroz, as primeiras colheitas indicam produtividades abaixo do esperado em algumas áreas, influenciadas por eventos de frio durante a floração. De acordo com o agrônomo João Ivo Bozenbecker Stumpf, sediado em Pelotas (RS), caso essa redução se confirme, há expectativa de reação nos preços, embora o cenário ainda seja de incerteza, também influenciado por fatores externos.
De forma consolidada, o cenário aponta para margens mais apertadas e maior seletividade nos investimentos. Sistemas produtivos mais eficientes, com melhor gestão de insumos e uso de tecnologias, tendem a apresentar maior resiliência. Nesse contexto, ferramentas de Agricultura de Precisão ganham relevância ao permitir maior racionalização no uso de recursos e melhor entendimento da variabilidade das áreas produtivas.


